São José dos Campos, 23 de Fevereiro de 2012

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16.12.2011

Governo vai anistiar 125 ex-operários da Embraer

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou a reparação econômica para 125 ex-trabalhadores da Embraer, de São José dos Campos, vítimas de perseguição política durante o regime militar. A decisão foi tomada anteontem em julgamento realizado em Brasília, segundo informou ontem o Sindicato dos Metalúrgicos de São José. O grupo beneficiado participou das greves ocorridas na indústria, nos anos de 1983, 1984 e 1988. A decisão encerra a luta de 27 anos desses trabalhadores na busca por uma reparação.
Segundo a decisão, os ex-funcionários da fabricante de aviões receberão uma pensão vitalícia, com valor ainda a ser definido, mas que deve ser de cerca de R$ 2.000 mensais.

Retroativo. Cada trabalhador terá direito a uma indenização retroativa a 1988. Os cálculos serão feitos pela Justiça e os valores exatos a serem pagos serão publicados no Diário Oficial da União. Segundo o sindicato, a Comissão de Anistia decidiu ainda [/TXT]que a pensão será corrigida a cada ano, com base nas conquistas da categoria. Isto significa que o índice de reajuste que for concedido aos metalúrgicos também incidirá sobre as pensões dos anistiados políticos. Para o vice-presidente do sindicato, Herbert Claros, que acompanhou o julgamento, o resultado é uma “grande vitória e deve ser comemorada”.


“O sindicato sempre acreditou e esteve à frente dessa luta. Afinal, são trabalhadores que foram punidos injustamente, só porque estavam lutando por seus direitos”, afirmou o dirigente sindical. Segundo ele, essa conquista foi possível graças ao trabalho conjunto entre o sindicato, o advogado Aderson Bussinger, que defendeu os anistiados, e a Abap (Associação Brasileira de Anistiados Políticos). Roberto de Souza, um dos anistiados, relatou que a conquista da reparação econômica teve também o auxílio do deputado federal Carlinhos Almeida (PT), de São José. “Ele ajudou bastante, nas intermediações que fez junto ao Ministério da Justiça.”

Reparação. O grupo foi anistiado politicamente em 2008 mas, na ocasião, não obteve reparação econômica.
 

Decisão vai reparar erro, diz demitido
São José dos Campos

Aos 53 anos, Roberto de Souza, um dos 125 ex-trabalhadores beneficiados com a reparação econômica pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, relatou que foi demitido em 1984 por perseguição política e não apenas pela participação em uma greve.
“Desde 1983, estava fichado no SNI (antigo Serviço Nacional de Informações) como militante de esquerda. Esse foi o real motivo da minha demissão em 1984”, afirmou.
Ele contou que exerceu outras atividades para sobreviver. “Trabalhei em banco, na construção civil e no comércio. Foi feita justiça. Apenas 30 ou 40 trabalhadores tinham alguma vinculação política e lutava pela democracia”, afirmou ele.

Fonte: O Vale

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